45 médicos de Mococa param de atender por discordar da forma de contratação

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Quarenta e cinco médicos da rede pública de Mococa (SP) – o que corresponde a 51% de todo efetivo – deixaram de atender a população na sexta-feira (1º). Eles não concordam com a política de contratação imposta pela empresa responsável pela gestão dos médicos da cidade.

A paralisação impactou o atendimento de saúde na cidade, principalmente dos Núcleos de Atendimento à Saúde (NAS). Segundo a In Saúde, empresa responsável pela gestão da saúde em Mococa, a Unidade de Pronto Atendimento (UPA) atua com 75% do efetivo e alguns postos de saúde não têm médicos. A previsão é que a normalização do atendimento deverá demorar de 10 a 15 dias.

Segundo a médica Joanna Barretto Jones, os profissionais foram contratados pela Organização da Sociedade Civil de Interesse Público (Oscip) In Saúde que, desde novembro de 2017, é responsável pela administração da saúde do município de Mococa.

Mas, em maio deste ano, a In Saúde repassou a gestão dos médicos para a empresa Bem-Viver, que exigiu que os médicos se tornassem sócios da empresa para continuarem trabalhando.

A proposta foi passada aos médicos em uma reunião realizada em 18 de maio, quando a empresa informou que quem não concordasse deixaria de trabalhar a partir de sexta-feira.

“É uma empresa que a gente não conhece, nós já olhamos o contrato e falamos: ‘isso não nos interessa’. Nós queremos prestar serviço sim, mas não através de uma sociedade com a Bem-Viver. Nós não queremos ser sócios da Bem-Viver”, afirmou Joanna.

Segundo a médica, a In Saúde foi avisada com antecedência do posicionamento dos médicos, assim como o Conselho Regional de Medicina (CRM) em uma carta que continha o nome de todos os profissionais que não concordavam com o sistema de contratação.

Os médicos também participaram de uma audiência pública na Câmara Municipal, a pedido dos vereadores, para explicar a situação.

A Prefeitura de Mococa informou que a gestão da saúde do município é de responsabilidade da In Saúde e que soube oficialmente da paralisação nesta segunda-feira e que enviou ofício à empresa cobrando solução.

De acordo com o diretor de Saúde de Mococa, Felipe Naufel, a prefeitura está dispota a negociar, mas a decisão é da In Saúde e que os médicos estão sendo repostos aos poucos.

“A nossa UPA está atendendo normalmente com 3 médicos de manhã, 4 à tarde. A gente quer suprir e ajudar a população de Mococa. O prefeito abriu o gabinete para poder conversar com a In Saúde, com os médicos, os advogados, para poder organizar isso e resolver esse caso”, disse Naufel.

O responsável pela In Saúde em Mococa, Márcio Bueno Durante, disse que o modelo apresentado aos médicos em Mococa já é utilizado sem problemas em outras cidades. Ele disse que a empresa está aberta ao diálogo e resolver a situação, mas já está buscando outros profissionais que desejam atuar em Mococa.

“Eu tenho uma série de outros serviços [contratados], como laboratório e raio-x, por exemplo. Médico é uma parte, mas com eles o negócio travou, eles não aceitam, eles devem ter as justificativas deles, mas nós vamos sentar e conversar para para normalizar o atendimento o mais rápido possível”, afirmou Durante.

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